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Mostrando postagens com o rótulo Koans

Ninguém pode mudar a mão do destino!

Ninguém pode mudar a mão do destino! Um grande shogun japonês, chamado Nobunaga, decidiu atacar o inimigo, embora ele tivesse apenas um décimo do número de homens que seu oponente. Mesmo assim, ele sabia que poderia ganhar, mas seus soldados tinham dúvidas. No caminho para a batalha, ele parou em um templo Shintó, e disse aos seus homens: — Após eu visitar o relicário eu jogarei uma moeda. Se a cara sair, iremos vencer; se sair a coroa, iremos com certeza perder. O destino nos tem em suas mãos.  Nobunaga entrou no templo e ofereceu uma prece silenciosa. Então, saiu e jogou a moeda. A cara apareceu. Seus soldados ficaram tão entusiasmados para lutar, que acabaram ganhando a batalha facilmente.  Após a batalha, seu segundo em comando comentou orgulhoso:  — Ninguém pode mudar a mão do destino!  — Realmente não — disse Nobunaga, mostrando-lhe reservadamente a moeda, que tinha sido duplicada, possuindo a cara impressa nos dois lados.

Unidade

Aquele que tiver se libertado dos pensamentos ilusórios e realizado a unidade entre o interior e o exterior será como um mudo que teve um sonho, mas que não o pode comunicar aos outros. O céu ficará aturdido e a Terra tremerá.

Esvazie-se

Nan-In, um mestre japonês durante a era Meiji (1868-1912), recebeu um professor de universidade que veio lhe inquirir sobre Zen. Este iniciou um longo discurso intelectual sobre suas dúvidas. Nan-In, enquanto isso, serviu o chá. Ele encheu completamente a xícara de seu visitante, e continuou a enchê-la, derramando chá pela borda.  O professor, vendo o excesso se derramando, não pode mais se conter e disse:  "Está muito cheio. Não cabe mais chá!"  "Como esta xícara," Nan-in disse, "você está cheio de suas próprias opiniões e especulações. Como posso eu lhe demonstrar o Zen sem você primeiro esvaziar sua xícara?"

Inscrição do Templo de Delphos – Grécia

Inscrição do Templo de Delphos – Grécia “Advirto-te, seja tu quem fores, oh, tu que desejas sondar os arcanos da natureza, que se não achas dentro de ti mesmo aquilo que buscas, tampouco poderá achá-lo fora. Se tu ignoras as excelências de tua própria casa, como pretendes encontrar outras excelências? Em ti está oculto o tesouro dos tesouros. Oh, Homem! Conhece a ti mesmo e conhecerás o Universo e os Deuses.”  Inscrição do Templo de Delphos – Grécia

O caminho para o oásis

Dois peregrinos estavam perdidas no deserto. Estavam morrendo de inanição e sede. Finalmente, avistaram um alto muro. Do outro lado, podiam ouvir o som de quedas d’água e de pássaros cantando. Acima, podiam ver os galhos de uma árvore frutífera atravessando e pendendo sobre o muro. Seus frutos pareciam deliciosos. Um dos homens subiu o muro e desapareceu no outro lado. O outro, em vez disso, saciou sua fome com as frutas que sobressaíam da árvore, ali mesmo, e retornou ao deserto para ajudar outros perdidos a encontrar o caminho para o oásis.

Dez anos

Após dez anos de aprendizagem, Tenno atingiu o título de Mestre Zen. Em um dia chuvoso, ele foi visitar o famoso Mestre Nan-In. Quando ele entrou no mosteiro, o Mestre, imediatamente, recebeu-o com uma questão: — Você deixou seus tamancos e seu guarda-chuva no alpendre ? — Sim, Mestre — respondeu Tenno. — Então, diga-me — continuou o Mestre: — Você colocou seu guarda-chuva à esquerda de seu calçado ou à direita ? Tenno não soube responder, percebendo, afinal, que ainda não havia alcançado a plena atenção. Ele, então, se tornou aprendiz do Mestre Nan-In, e estudou sob sua orientação por mais dez anos.        

Sonho e Realidade

Certa vez, o Mestre taoísta Chuang Tzu sonhou que era uma borboleta, voando alegremente aqui e ali. No sonho, ele não tinha mais a mínima consciência de sua individualidade como pessoa. Ele era realmente uma borboleta. Repentinamente, ele acordou, e se descobriu deitado em sua cama, uma pessoa novamente. Mas, então, ele pensou para si mesmo: “Antes, fui um homem que sonhava ser uma borboleta ou, agora, sou uma borboleta que sonha ser um homem ?”    

Acaba de se abrir o Portal

Um orgulhoso guerreiro, chamado Nobushige, foi até o Mestre Hakuin, e perguntou-lhe: — Se existe um paraíso e um inferno, onde estão ? — Quem é você ? — perguntou Hakuin. — Eu sou um samurai! — o guerreiro exclamou. — Você? Um guerreiro ? — riu-se Hakuin. — Que espécie de governante teria tal guarda ? Sua aparência é a de um mendigo! Nobushige ficou tão raivoso que começou a desembainhar sua espada, mas Hakuin continuou: — Então, você tem uma espada! Sua arma provavelmente está tão cega que não cortará minha cabeça… O samurai desembainhou a espada e avançou pronto para matar, gritando de ódio. Neste momento, Hakuin anunciou: — Acaba de se abrir o Portal do Inferno! Ao ouvir estas palavras, e percebendo a sabedoria do Mestre, o samurai embainhou sua espada, e fez-lhe uma profunda reverência. — Acaba de se abrir o Portal do Paraíso — disse suavemente o Mestre Hakuin.                  

Aqui e agora

Não siga o passado; não se perca no futuro. O passado não existe mais; o futuro ainda não chegou. Observando profundamente a vida como ela é, aqui e agora, é que permanecemos equilibrados e livres.

O que é que tem bom gosto ?

Um Mestre oferece um melão a um discípulo.  – Que te parece o melão? – pergunta-lhe. – Tem bom gosto?  – Sim, sim! Muito bom gosto! – diz o discípulo.  O Mestre faz então outra pergunta:  – O que é que tem bom gosto, o melão ou a língua?  Essa história é um koan muito interessante.  O discípulo reflete, confunde-se e retruca:  – O sabor provém da interdependência, não só do gosto do melão e da língua, mas igualmente da interdependência da…  – Idiota! Tríplice idiota! – atalha o Mestre, colérico.

Quem pensa que entendeu

Quem pensa que entendeu se questiona.  Quem pensa que não entendeu questiona os outros.  Quem entendeu não diz nada.  E quem não entendeu também não diz nada!

A Porta sem porta

Aquele que passa a Porta sem porta marchará de mão dadas com toda a linhagem de Patriarcas, olhando com o mesmo olho e ouvindo com o mesmo ouvido.

Não é o vento que se move

Dois monges discutiam a respeito da bandeira do templo, que tremulava ao vento. Um deles disse: – É a bandeira que se move. O outro disse: – É o vento que se move. Trocaram ideias e não conseguiam chegar a um acordo. Então Hui-neng, o sexto patriarca, disse: – Não é a bandeira que se move. Não é o vento que se move. É a mente dos senhores que se move. Os dois monges ficaram perplexos.